sábado, 12 de dezembro de 2009

A influência da TV na sexualidade da criança

A mídia, e no caso especificamente a TV, exerce uma influência significativa no cotidiano de todos nós. Em relação às crianças e jovens, então, nem se fala, principalmente por estarem na fase de formação dos valores, conceitos, modelos de conduta e comportamento sexual.


Os pais, sempre que perguntamos a respeito, reclamam da programação da televisão, considerando-as impróprias para os seus filhos. Se antes era o apelo sexual que mais incomodava, hoje é a violência.

E nessa educação dos pequenos, pai e mãe não estão sabendo lidar muito bem com o seu papel.

A televisão pode, sim, estar contribuindo positivamente ou negativamente para a educação do seu filho. Mas você contribui muito mais: a vivência que seu menino ou menina tem com você, todo o processo de identificação, a construção das “bases afetivas” exercem influências mais profundas do que aquilo que passa na televisão. Não quero dizer que essa máquina poderosa de imagem e som não influencia. Mas não podemos ficar jogando a culpa toda na telinha.

Por um lado, sabemos que a exposição precoce da criança a cenas de sexo e violência, de forma degradante, pornográfica e sem nenhum critério, pode interferir no seu desenvolvimento emocional. A criança armazena todo tipo de informação que recebe. Por isso, devemos ter qualidade nessa informação. Ninguém quer seu filhinho de 5 anos com cenas de sexo e violência “armazenadas” em sua cabeça, não é?

Por outro lado, temos pais que não estão sabendo zelar pelo que seus filhos estão assistindo. A televisão passou, então, a ser uma eficiente “babá eletrônica”.

Segundo dados do IBOPE, a criança fica, em média, duas horas e meia por dia diante da TV. É muito tempo, se você pensar que a maioria delas fica ali sozinha, sem a participação de pai e mãe.

As crianças mais novas não conseguem decodificar as mudanças súbitas de ângulos, os efeitos visuais e de aproximação e afastamento da câmera. Também não percebe que o desenho que está assistindo parou e que já está passando um comercial. Na sua imaginação, tudo faz parte de um só programa, que está mandando ela comprar. Por isso, nos primeiros anos de vida, é importante que os pais estejam ao lado do filho. Esse é um momento precioso para conversar e, mesmo lentamente (ir aprofundando de acordo com a idade), desenvolver o senso crítico, traduzindo um pouco esse mundo da fantasia (o que é mentira e faz parte do sonho e o que é verdade) e, ainda quando pequeno, educar seu filho a entender e respeitar as diferenças, tendo como gancho os múltiplos programas de TV que estigmatizam, rotulam e tratam o ser humano com preconceito (como vemos em alguns programas de humor). Então, é transformar o que você vê em algo benéfico para a educação do seu filho.

Exemplo:

- Olha filho: o que você esta vendo é verdade, acontece mesmo em alguns lugares. Mas aqui em casa a gente não concorda. Porque eu e seu pai (ou eu e sua mãe) acreditamos que as pessoas devem ser tratadas com respeito e sem discriminação. E, na casa de muitos amiguinhos seus, também pensam assim como a gente.

Mas se você não está perto, aquela imagem e mensagem é que ficam. Aí a TV estará sendo mais forte do que a educação que você dá em casa. E chega uma hora que é seu papel assumir o controle do controle remoto.

A televisão é o primeiro e maior contato das pessoas com o mundo externo

Se uma criança, antes de completar 5 anos, tiver o hábito de ficar em frente a um aparelho de TV, terá visto aproximadamente 1.000 comerciais. Em menos de 5 minutos, já terá “viajado” pelo mundo e estado em contato com diferentes formas de linguagem. Portanto, um excelente meio de educação, desde que utilizado com esse fim.

Algumas dicas para pai e mãe:

1- Horário: defina o horário para seu filho ver televisão. É importante que essas regras sejam bem definidas. E a televisão não pode ser a principal "programação" dele.

2- Converse sobre o que ele está vendo de forma mais presencial: caso você trabalhe fora, além de procurar saber como foi o dia dele, o que fez, com quem brincou, etc., pergunte se ele viu televisão. Diante da afirmativa, procure saber o que viu - questione, peça a opinião dele e desenvolva no seu filho, desde pequeno, uma opiniçao sobre o ue está assistindo e não que seja um mero espectador que assimila tudo sem questionar.

3- Definir o que ele pode ver: com criança pequena, é papel de pai e mãe definir a programação que o filho poderá ver, de acordo com a faixa etária.

4- Proporcione outra opção de lazer: a televisão não pode ser a única "distração" do seu filho. Ele deve ter outras opções de lazer, como:

- jogos educativos;

- brincadeiras com os amiguinhos (que permite desde pequeno a interação com o grupo);

- brincadeiras com trabalho corporal (para proporcionar habilidade e movimento);

- esporte;

- trabalho de arte e pintura, música, teatro ou o que for de interesse.

Claro que não me refiro a todas as possibilidades de lazer. Nem é adequado e educativamente desaconselhável. Mas cada família, dentro da disponibilidade de tempo e recursos, interesse da criança e adequação à faixa etária, que encaminhe seu filho a um mundo que não seja só o apresentado pela televisão.

Muitas vezes a TV passa informações, conceitos e “verdades” diferentes do que pai e mãe ensinam em casa. Talvez esse seja um bom momento de você conversar com seu filho que em casa vocês pensam assim, mas em outras famílias o pensamento pode ser outro.

O que é mais importante nisso tudo? É que, com essa abertura, certamente quando alguma mensagem for confusa ou eles quiserem contar o que viram, vão se reportar aos pais ou alguém de confiança.

(Esse texto é parte de um dos capítulos do livro Sexo: como orientar seu filho, de Marcos Ribeiro, editado pela Editora Planeta, um dos maiores sucessos editorais dos últimos meses, que pai e mãe não podem deixar de ler).

Marcos Ribeiro - Autor desse texto, é sexólogo e Consultor em Sexualidade para o Ministério da Saúde, Fundação Roberto Marinho e outras instituições públicas e privadas. Coordenador Geral da ONG Centro de Orientação e Educação Sexual (CORES). Autor de livros de educação sexual, entre eles, o recém lançado Sexo: como orientar seu filho (Editora Planeta), um guia que todo pai e mãe não podem deixar de ler.
 


"Criança precisa brincar!!!"

3 comentários:

Escolinha a Brincar disse...

Olá! Vim agradecer a visitinha e ao meu blog "Uma janela para a turma 4D" e gostaria de a informar que já não tem mais continuidade pois os alunos mudaram para o 2º ciclo de estudos. Se quiser continuar minha seguidoraestou em http://escolinhaabrincar.blogspot.com
Bjos Teresa

Morg disse...

A televisão assim como os video-games podem ser um grande auxilio na educação,mas quando o tempo é administrado de maneira correta! As crianças estão esquecendo de uma das coisas mais gostosas da infância: brincar! não brincar de jogos virtuais, mas sim de amarelinha, esconde-esconde, pega-pega, brincadeiras que ajudam não só na cordenação motora mas também desenvolvimento cognitivo da criança.

Raquel disse...

Oii Sheila
Gostaria de saber se vc ainda está interessada no layout ou template .Se vc quer que eu faça um pra vc personalizado?
Bjsssssss

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